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Crônicas e Agudas por Walmar Brêda

Walmar Coelho Breda Junior é formado em odontologia pela Ufal, mas também é um observador atento do cotidiano. Em 2015 lançou o livro "Crônicas e Agudas" onde pôde registrar suas impressões sobre o mundo sob um olhar bem-humorado, sagaz e original. No blog do mesmo nome é possível conferir sua verve de escritor e sua visão interessante sobre o cotidiano.

Todas as postagens são de inteira responsabilidade do blogueiro.

A Resposta

Estamos nesse momento num dilema vital para nós, terráqueos, brasileiros, alagoanos e maceioenses: o que fazer nos próximos dias? Recolhemo-nos  ou trabalhamos ? Se você tem a resposta na ponta da língua, então provavelmente você está errado -ou parcialmente errado, para ser mais exato. Trata-se de uma decisão que ninguém, repito, ninguém sabe ao certo.

Se você tem sua renda garantida sem sair de casa e acha que devemos permanecer reclusos o tempo que for, sua opinião não é válida. É bem provável que ela esteja carregada da crença que todo mundo vive como você. Pode também está sendo profundamente egoísta ou até  ingênuo, do tipo que acredita que para resolver o problema econômico do Brasil basta imprimir mais dinheiro.

Mas, se você é daqueles que para jantar precisa vender o almoço -seja grande ou pequeno- provavelmente  está relevando e atenuando a gravidade do potencial deste vírus, usando o justíssimo argumento do fator econômico para justificar o risco de uma tragédia sanitária em escala global.
A verdade é que nunca a expressão “se correr o bicho pega e se ficar o bicho come” foi tão adequada como nesse momento -a diferença é que, se ficar,  o bicho homem não come. Passa fome.
 Sabemos que cada lado tem seus argumentos fortíssimos e bem fundamentados. Porém, não podemos jamais cair na armadilha de acreditar que o outro lado é ingênuo  ou desumano por não ter a mesma opinião que você. Vemos constantemente esse tipo de comportamento tanto de longe na imprensa, quanto de perto nas nossas redes sociais. Tenho visto muitas  discussões acaloradas entre gente próxima: já vi um acusando o outro de não “ser cristão”, por defender o legítimo direito de voltarmos a trabalhar, com ressalvas,  para garantir o sustento;  bem como outro debochando o “privilégio” do que propõe ficar em casa com a família, por ter o salário de servidor público garantido.
 Não há, portanto, respostas fáceis e rápidas. Os dois lados estão certos. Os dois lados estão errados. Eu mesmo quero trabalhar e também quero permanecer  saudável e cuidar da minha família.  Dá para se ter os  dois?  Não sei, me diga você. Mas, provavelmente você estará mezzo certo e mezzo errado.

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