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Crônicas e Agudas por Walmar Brêda

Walmar Coelho Breda Junior é formado em odontologia pela Ufal, mas também é um observador atento do cotidiano. Em 2015 lançou o livro "Crônicas e Agudas" onde pôde registrar suas impressões sobre o mundo sob um olhar bem-humorado, sagaz e original. No blog do mesmo nome é possível conferir sua verve de escritor e sua visão interessante sobre o cotidiano.

Todas as postagens são de inteira responsabilidade do blogueiro.

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Nesse exato momento, quase todos meus amigos estão calvos e/ou grisalhos.

Nesse exato momento, eu e quase todos os meus amigos e contemporâneos já perdemos ou estão perdendo nossos pais

Nesse momento, muitos contemporâneos meus  já são vovós e vovôs.

Nesse momento, muitos amigos e contemporâneos já estão se aposentando ou fazendo contas sobre isso.

Nesse momento, eu e quase todos meus amigos nos parecemos com aquele senhorzinho da fila do banco ou com os pais dos pais da nossa infância.

Nesse momento, eu e quase todos meus amigos têm um punhado de dores no corpo, já pararam de jogar futebol há tempos, já tomam uns remedinhos diários, já são chamados de tios pelos jovens e só vamos a shows onde tem um lugarzinho para sentar.

Nesse momento, eu e meus amigos e contemporâneos estamos mais impacientes com gente frívola , intolerantes com música alta, já não nos preocupamos tanto assim com a crescente barriguinha e toda hora dizemos:

“No meu tempo era diferente…”

Nesse exato momento, a maioria da minha geração depende de óculos de leitura para quase tudo, já não desce uma escada como antes, já não lembra das coisas como antes, aliás,  não faz muita coisa como antes…

Nesse exato momento, estamos casando nossos filhos, enterrando nossos pais, enterrando também nossos sonhos  e tornando-nos  mais cautelosos e realistas  com nossas decisões.

Nesse momento, para mim e toda minha geração, a vida já não é mais tão longa, já temos bem mais passado que futuro, os planos já não são tão a longo prazo e começamos a apreciar as  coisas mais pequeninas —ou pelo menos deveríamos  

Nesse momento, preferimos estar em casa no conforto das nossas pequenas e grandes conquistas e utilizamos com intensidade toda essa tecnologia criada pela nossa geração —embora os jovens de hoje a tomem para si, acreditando serem donos exclusivos de todo o universo digital.

Nesse momento, vários de nós constatam, volta e meia, que já não temos mais tanto tempo assim, e a cada dia são menos natais, aniversários e nasceres e pores do sol.

Deveríamos , portanto , ser mais apreciadores do tempo enquanto vivido e mais objetivos no tempo a ser vivido   — afinal já sabemos bem o que podemos e o que não  podemos mais fazer e desejar  

O que você está esperando então para tornar-se aquilo que você desejou ser, ter, aprender, descobrir, conhecer, ou simplesmente viver?

Procrastinar a felicidade é um dos maiores erros que alguém pode cometer consigo mesmo.

Se importar com a opinião dos outros funciona como uma âncora fundeada em um veleiro, que poderia lançar-se em direção à brisa suave.

Mas, sabe como é: nesse momento, eu e quase toda minha geração já não temos mais aquela coragem e disposição de antes …

Ou será que temos ?

 

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