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Bispo Filho

Bispo Filho é Administrador de Empresas e Estudante de Jornalismo.

Todas as postagens são de inteira responsabilidade do blogueiro.

O papel do design estratégico na construção de uma cidade mais humana: Mudando o olhar sobre a cidade de Maceió.

A ideia de que os próprios cidadãos podem se organizar em grupos autônomos e não depender de Governos e empresas para melhorar as cidades onde vivem parece estar passando por uma segunda onda de evolução no Brasil.

O processo de urbanização raramente é induzido por alguma política governamental de forma ordenada. Ele se processa de modo descontrolado, forçando as cidades a abrigarem um número de pessoas superior à sua capacidade, o que dá origem a habitações subnormais, aos “sem-teto”, à violência, à poluição e às periferias desassistidas que existem mesmo nas cidades mais ricas do mundo.

O que fazer?

Pra onde ir?

Alguns setores políticos, tanto à esquerda quanto à direita, enunciaram a questão com escárnio, desdenhando o efeito difuso de protestos Brasil à fora.

Outras cabeças, mais ligadas, transformaram a dúvida em investigação estratégica, buscando respostas estruturais e de longo prazo baseada em vivências e não apenas em teorias empoeiradas, gritos de ordem autistas ou críticas sarcásticas.

Precisamos investir em comunidades criativas, que se conceituam pela união das pessoas pra geração de uma nova solução pro seu próprio cotidiano.

O olhar do habitante, aquele que circula apressado pelas ruas, muitas vezes deixa passar desapercebido valores importantes da paisagem urbana.

A necessidade de desenvolver atividades com uma “velocidade” cada vez maior, faz com que deixemos de perceber as coisas que tem valor fundamental, e, por conseqüência, provoca uma perda na relação que se estabelece com o meio em que se vive.

Em tom de parábola, Norton Juster se refere, em um conto, à este fenômeno:

– Há muitos anos, neste mesmo lugar, havia uma linda cidade, cheia de casas bonitas e lugares atraentes… As ruas eram cheias de coisas maravilhosas para se olhar e as pessoas sempre paravam para olhar para elas.
– Elas não tinham nenhum lugar para ir?, pergunta Milo.
– Claro que sim, mas, como você sabe, a razão mais importante de se ir de um lugar para outro é ver aquilo que há entre os dois lugares…
– Aí, um dia, alguém descobriu que, se você não olhasse para nada e tomasse atalhos, você chegaria mais depressa. As pessoas tornaram-se obcecadas para chegar lá, correndo, depressa, olhando para o chão. E, porque ninguém mais olhava para as coisas à sua volta, tudo foi ficando cada vez mais feio e mais sujo e, como tudo foi ficando sujo e feio, as pessoas andavam cada vez mais depressa, e então uma coisa muito estranha começou a acontecer.
A cidade começou a desaparecer.
Dia a dia, as construções iam sumindo e as ruas desaparecendo.
E as pessoas continuavam vivendo ali como sempre, nas casas, em prédios e nas ruas, que já não estavam mais ali, porque ninguém notava nada.

Assim como acontece na ficção, também as pessoas que habitam a cidade podem perder o contato com a cidade na qual habitam.

Na verdade, a cidade não deixa de existir, ela continua ali, mas a maneira pela qual as pessoas passam a se relacionar com ela é que vem sendo alterada.

O próprio olhar é alterado.

Fica a dica!

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