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Pesquisa: médico alagoano comprova que meia de compressão deve ser EPI

Cirurgião vascular José Tenório de Albuquerque apresenta tese de doutorado em universidade argentina

Ascom Santa Casa

Ascom Santa Casa

O uso de meia de compressão graduada por trabalhadores que passam muito tempo em pé proporciona qualidade de vida e previne a progressão de varizes. Essa foi a conclusão de recente pesquisa realizada na Santa Casa de Maceió e apresentada em Buenos Aires (Argentina) pelo cirurgião vascular José Tenório de Albuquerque.

A insuficiência venosa de membros inferiores, como os médicos denominam a patologia, é uma das 20 causas de afastamento do trabalho (absenteísmo), o que traz sérios prejuízos para governos e empresas. O especialista anunciou sua intenção de enviar o resultado da pesquisa para os gestores governamentais, a fim de que as meias de compressão sejam consideradas, no futuro breve, como mais um equipamento de proteção ao trabalhador (EPI).

Para quem tem o problema, as varizes podem dificultar a realização de atividades domésticas, sociais e desportivas, levando a pessoa ao sedentarismo e, por conseguinte, a outras doenças.

“O único organismo que durante a evolução ficou em posição ereta foi o homem. Esse fato trouxe reflexos positivos ao desenvolvimento da raça humana, porém, também trouxe reflexos negativos. Somos os únicos a contrair varizes nos membros inferiores, seja por conta da herança genética, seja pelo peso do corpo pressionando as pernas e, por tabela, as veias, dilatando-as”, explicou o médico alagoano José Tenório de Albuquerque.

A defesa de tese de doutorado “Importância da meia de compressão graduada na prevenção da insuficiência venosa” analisou dois grupos de colaboradores da Santa Casa de Maceió cuja rotina laboral é trabalhar em pé, o que inclui seguranças, profissionais do centro cirúrgico entre outros.

Foram selecionados profissionais que apresentam varizes com nível de 0 a 3 (graduação que vai de 0 a 6 dentro da classificação clínica CEAP). Foram excluídos da pesquisa gestantes, colaboradores que tiveram trombose e aqueles com CEAP de 4 a 6.

Um grupo de 100 colaboradores recebeu meias de compressão graduada para uso durante o trabalho. O segundo grupo, também formado por 100 pessoas, não recebeu meias, servindo de grupo de controle para análise comparativa.

Os dois grupos foram acompanhados durante seis meses, com os participantes assumindo o compromisso de responder ao questionário Venosquil, ferramenta criada por pesquisadores ingleses para auferir a qualidade de vida do funcionário após o trabalho.

Os colaboradores que usaram meias relataram ter mais disposição para fazer outras atividades após o trabalho, assim como não apresentaram progressão das varizes para outros níveis mais graves.

Confira as vantagens das meias de compressão para homens e mulheres

O cirurgião vascular José Tenório de Albuquerque comprovou em pesquisa realizada com colaboradores da Santa Casa de Maceió que a qualidade de vida era bem melhor entre os que usaram a meia de compressão durante os seis meses do estudo, permitindo a realização de atividades domésticas, sociais e desportivas.

“Ao analisar o segundo grupo – os colaboradores que não usaram meias de compressão – observamos que em sua rotina pós-trabalho não apresentavam o mesmo desempenho físico do grupo 1″, explicou Tenório.

O estudo avaliou também o percentual de afastamento do trabalho, que foi maior entre os que não usaram a meia e inexistente entre os que usaram.

O terceiro aspecto foi checar se as meias conseguiam prevenir a progressão das varizes. No grupo 1 notou-se estabilidade. Já o segundo, registrou-se casos de ampliação das varizes no tocante ao índice CEAP.

Apesar de a pesquisa ter focado os trabalhadores que trabalham em pé, os malefícios das varizes também ocorrem em quem passa muito tempo sentado, sejam profissionais ou viajantes.

“As recomendações são as mesmas para os dois perfis: usar a meia de compressão graduada,” acrescentou Tenório.