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Bebê atropelada em Copacabana é velada

Niedja da Silva Araújo chega ao cemitério para o enterro da filha, morta no atropelamento em Copacabana (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

O corpo da bebê Maria Louise, de 8 meses, uma das vítimas do atropelamento coletivo no calçadão de Copacabana, na Zona Sul do Rio, na noite de quinta-feira (18), vai ser enterrado na tarde deste sábado (20), no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na Zona Sul. Maria Louize é uma das 18 vítimas do caso.

Parentes da criança começaram a chegar à capela por volta das 10h. Pai do bebê, o motorista de Uber Darlan Rocha, ficou por volta de 20 minutos chorando em cima do caixão.

A mãe, Niedja da Silva Araújo, que também ficou ferida no acidente, chegou ao cemitério de cadeira de rodas, chorando muito. “Quero minha filha!”, gritava.

Já Darlan voltou a desabafar e chamou o motorista Antonio Almeida Anaquim de monstro: “É inexplicável como um motorista pode dirigir com a carteira suspensa”.

Os pastores da Assembleia de Deus, Isaías Domingos Vieira e a mulher Vera Lúcia Vieira contaram que Niedja passou a noite na casa deles porque ela mora na Ladeira dos Tabajaras num local de difícil acesso e que ela não teria como chegar por causa dos ferimentos na perna. O marido Darlan, também dormiu na casa dos pastores. O casal contou que Niedja não dormiu e chorou a noite inteira. Eles tentaram convencê-la a vir mais tarde para o velório, mas não conseguiram.

“Ela quis vir cedo para o velório. Está sendo muito doloroso para essa mãe de 23 anos, que estava começando a construir sua família, que numa noite de muito calor foi à praia para se refrescar e voltou pra casa sem o seu bebê. Não entendo como alguém dirige com a carteira suspensa e anda mente”, disse a pastora Vera.

A igreja está pagando o enterro de Maria Louize, porque os pais- motorista de transporte escolar e copeira, que foi demitida ao anunciar que estava grávida – não têm condições.

Processo

O advogado Carlos Alberto do Nascimento, que defende a família do bebê disse que vai entrar, na segunda-feira (22), com uma ação pedindo que o atropelador custeie o tratamento da mãe – que não está em condições de trabalhar. Ele discorda da avaliação do delegado de que o motorista deva responder por homicídio culposo.

“Vamos acompanhar o inquérito, porque não acham que seja correto que ele seja indiciado por homicídio culposo. Ele deveria ao menos responder pelo dolo eventual, já que ele mentiu para o Detran, quando disse que não tinha doença nenhuma, forneceu informações falsas num documento público e assumiu o risco, ao dirigir com a carteira suspensa. Aliás, ele é reincidente nesse tipo de risco já que foi multado por andar de moto sobre a calçada botando a vida de outros em risco “, disse Nascimento.

Ele também pretende pedir ajuda ao Ministério Público para entrar com uma ação indenizatória para a família de Maria Louize. Nascimento disse que nao pretende processar o Detran, por entender que o órgão também foi vítima do motorista que forneceu dados falsos para obter a carteira.

Dos 17 feridos, pelo oito permanecem internados. Entre eles, um turista australiano, que está em estado grave no Hospital Miguel Couto, no Leblon, na Zona Sul.

O motorista que atropelou as pessoas no calçadão Antônio Almeida Anaquim vai responder em liberdade por homicídio culposo (quando não há intenção de matar).

Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Antonio está com a carteira de habilitação suspensa desde maio de 2014. Em nota, o órgão afirmou que o motorista terá o documento cassado, porque dirigir com a carteira suspensa configura crime de trânsito.

Ao ser conduzido para a delegacia, Antonio alegou que sofreu um ataque epilético. Ele, porém, negou ao Detran que sofria de epilepsia em um questionário assinado em 2015, no ato da renovação de sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH). No documento, afirmou nunca ter sofrido “tonturas, desmaios, convulsões ou vertigens”, bem como não ser acomedito por doença neurológica.