Maceió

‘Não podemos garantir a integridade das pessoas’; novo mapa será divulgado

João Urtiga / Alagoas 24 Horas

João Urtiga / Alagoas 24 Horas

O Serviço Geológico do Brasil, através da Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM), divulgou na manhã desta quarta-feira (8), no auditório do Fórum da Justiça Federal, no bairro da Serraria, o laudo conclusivo e apontou que a mineradora Braskem é a responsável pelo afundamento do solo nos bairros do Pinheiro, Mutange e Bebedouro.

Durante a apresentação, assessor da Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil, Thales Sampaio, explicou que a mineração realizada pela Braskem reativou falhas geológicas já existentes na região dos bairros atingidos.

“A desestabilização das cavidades fez com que houvesse desabamento da estrutura geológica antiga que existe em Maceió e em todo o Brasil. Estas estruturas existem e estão “quietas” e quando há a mineração, há uma interferência causando desestabilização e reativação da subsidência”, afirmou.

Sampaio afirmou que a área onde estão localizados os bairros são classificadas como de risco clássico. Mas descartou que as suas ocupações poderiam ser consideradas como causadores do afundamento.

“A área do Mutange é uma área de risco clássico. No começo das investigações não imaginávamos que seria algo grave, mas em maio do ano passado, durante uma reunião em Brasília, ficou decidido que o Serviço Geológico do Brasil estudaria o caso. Ficamos em Maceió durante todo o segundo semestre de 2018″, disse.

Thales explicou também que o afundamento do solo nos bairros tem acontecido há aproximadamente dez anos e que o problema tem se agravado de maneira rápida e gradativa. “Há pelo menos 10 a área do bairro está se desestabilizando. E essa evolução de desestabilização acontece de maneira gradativa. O satélite fez medidas do mesmo ponto. A área se movimentou bastante e a área do Mutange perto da lagoa foi a que mais rebaixou”, explicou.

Outra hipótese descartada foi a de extração de água subterrânea. Segundo Thales, os aquíferos existentes na região suportam as subtrações sem causar danos ao solo. “Os níveis estão se recuperando nos bairros de Maceió como um todo. Na região dos bairros, os aquíferos estão retornando aos seus níveis normais e, por isso, estão dentro do que o solo do bairro suporta”, disse.

Durante a audiência de apresentação, moradores do Pinheiro, presentes no local, protestaram contra a mineradora Braskem.

Novo mapa

O Serviço Geológico do Brasil confirmou que já foi elaborado um novo mapa com as áreas de risco, que deixou de ser mapa de feições e passou a ser mapa integrado, uma vez que considera todos os estudos realizados até o momento. Esse mapa será divulgado posteriormente e deverá definir as áreas que serão evacuadas em definitivo ou regiões passíveis de monitoramento.

Considerando o monitoramento realizado até o momento, Thales Sampaio disse que a CPRM “Não pode garantir a integridade dos imóveis ou das pessoas que residem nas áreas que apresentam rachaduras e que estão sobre as cavidades, uma vez que hoje só se conhece a situação de oito das 35 existentes”.

MP e DP

“O Ministério Público e a Defensoria Pública estavam certos”. Essa foi a fala do procurador geral de Justiça, Alfredo Gaspar de Mendonça, sobre o pedido do bloqueio de R$ 6,7 bilhões da Braskem. “Mais do que nunca precisamos desse bloqueio integral para que a população seja reparada nesses graves danos”, defendeu.

João Urtiga / Alagoas 24 Horas

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