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A música e o vento do destino em Causos do Chau

Chau do Pife se apresenta no Complexo Cultural Teatro Deodoro nessa sexta-feira (20), às 20h

Maceió, 16 de agosto de 2017
Fotos para capa do CD do Chau do Pife, registrado no Teatro de Arena, com iluminação especias de Aldo. Alagoas – Brasil.
Foto: Ailton Cruz

Era final da década de 1950. Ao sul do Estado de Alagoas, em Boca da Mata, nascia um menino de nome de santo, José, enquanto pássaros assobiando previam seu futuro. José foi crescendo e ganhou uma tarefa: espantar passarinho do roçado. Para isso conseguiu um apito de taboca, um instrumento híbrido entre apito e flauta. Deu-se, então, a primeira descoberta de um jogo de imitação entre o menino e os pássaros, que do apito pulou para uma flauta de pífano do pai para acompanhar melhor a harmonia dos assobios.

Aos 12 anos, José saiu de casa para viver de música e ganhou o apelido de Chau. O primeiro show foi feito aos 14 anos, com um pífano feito por ele e improvisos de músicas de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Jacinto Silva.

O menino José se tornou Chau do Pife e, em 1984, foi morar na capital alagoana. Enquanto dormia ao relento, animava festas na periferia com o Trio Catuaba.

O talento dele era inegável. Era admirado por pessoas de todas as idades, conquistadas pelo som da flauta e pelo carisma singular. Assim foi ganhando destaque até que em 2002 lançou seu primeiro CD chamado Memória dos Pássaros, homenageando suas professoras aves.

Outros CDs não demoraram muito para chegar: Ninguém Anda Sozinho (2006), Chau no Capricho (2008) – que foi gravado, ao vivo, no Teatro de Arena Sérgio Cardoso. E, em 2011, no Teatro Deodoro, gravou, também ao vivo, o quarto disco Cheiro de Mato. Um ano após, em 2012, recebeu o título de reconhecimento para cultura popular de Mestre do Patrimônio Vivo de Alagoas.

Estas histórias, como tantas outras da vida de Chau, serão o mote para um show descontraído e cheio de afeto que será apresentado na próxima sexta-feira, 20. O show Causos do Chau, na Sala de Música do Complexo Cultural Teatro Deodoro, Centro de Maceió, será um acústico para que o público sinta toda a musicalidade dele e de seus companheiros de palco: Alex, Irineu e Edinho, o trio de zabumba, sanfona e triângulo.

O espetáculo será conduzido pelo próprio Chau, que garante animação e momentos de emoção em um show repleto de memória: “São histórias da minha vida, as coisas boas que passei; quando eu chorei e, depois, o vento do destino enxugou a lágrima. Hoje, o sorriso é brilhoso, mas não esqueço do tempo do sorriso enferrujado”, conta o Mestre Patrimônio Vivo.

Desde que chegou a Maceió, ele sempre encontrou um lugar para propagar sua arte no Teatro Deodoro, onde já viveu grandes momentos de sua carreira, como em 2000, quando e um show com Luciana Rabelo, em um duo de improviso entre flauta e cavaquinho.

“O Teatro é minha casa, porque cada passo que eu dou aqui dentro, eu lembro de alguma coisa da minha vida”, conta Chau. “Eu aprendi muito aqui, essas paredes têm a acústica da minha memória”.

O espetáculo Causos do Chau é uma realização da Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal), que sempre estampou a honra de ser palco para o músico.

A apresentação de sexta começará às 20h, com entradas custando R$10 (meia) e R$20 (inteira), já disponíveis para compra na bilheteria do Teatro, que abre de terça a domingo, das 14h às 18h.

O espetáculo é uma forma de se aproximar do músico, saber de sua vida, de suas experiências e de sentir, de perto, a conexão dele com a música. O músico garante que, além de memória, a palavra-chave do show será afeto: “Contar como a música chegou até mim, como eu cheguei à música; como o povo me abraçou e como eu abracei o povo”.

Serviço
Show Causos do Chau
Dia 20 de setembro, sexta-feira, às 20h
No Complexo Cultural Teatro Deodoro, no Centro de Maceió
Entrada: R$10 (meia) e R$20 (inteira)