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Lei do Teste da Orelhinha não é cumprida em Maceió

A doença poderia ser identificada e tratada a partir dos primeiros meses, o que aumentaria muito as chances de reabilitação da criança, mas são poucas as maternidades brasileiras que dispõem de equipamentos e de pessoal treinado para esse fim.

Alagoas24horas

Teste da Orelinha é simples, rápido e indolor

Willames Ferreira da Silva, 4, nasceu com uma deficiência auditiva grave, não detectada pelo pediatra ou pela maternidade onde nasceu. Ele só escuta sons muito altos, barulhos intensos, problema que só foi percebido pela mãe, quando o garoto chegou ao primeiro ano de vida sem falar.

Somente após alguns anos de tratamento, Willames começou a usar um aparelho de amplificação sonora. Com ele, o menino reage a estímulos de sons e agora já pronuncia algumas palavras. Um alívio para os pais, que lembram com alegria a primeira vez em que “willi”, como é chamado, falou a palavra mãe.

O problema auditivo de Willames é mais comum do que se pensa. A cada grupo de mil bebês nascidos no Brasil, uma média de três a cinco sofrem com a deficiência. A doença poderia ser identificada e tratada a partir dos primeiros meses, o que aumentaria muito as chances de reabilitação da criança, mas são poucas as maternidades brasileiras que dispõem de equipamentos e de pessoal treinado para esse fim.

De acordo com fonoaudiólogos, a medida mais eficaz, hoje em dia, é submeter as crianças a um exame chamado Emissões Otoacústicas Evocadas (EOA), mais conhecido por "teste da orelhinha", que detecta se o bebê possui deficiência auditiva.

Eles afirmam que a descoberta precoce da surdez aliada ao tratamento adequado, até os seis meses de idade, permitem que a criança se desenvolva de forma semelhante a uma criança ouvinte. O ideal é que o exame seja realizado após 48 horas o nascimento e até 28 dias, quando não há vestígios de restos de parto nos ouvidos.

Teste

A fonoaudióloga da Associação dos Amigos e Pais de Pessoas Especiais (AAPPE), Dilma Pinheiro, explica que o teste é simples e rápido e que poderia mudar a realidade de muitas crianças. “O Teste da Orelhinha é um teste simples que deve ser realizado com o bebê dormindo – em sono natural -, é indolor e não machuca”, orienta.

“A deficiência auditiva é a doença mais freqüente encontrada no período neonatal. Para entender isso, basta tomar como exemplo o teste do pezinho que aponta uma criança em cada 10 mil nascimentos. Se comparados, os números assustam”, diz Dilma.

Apesar da sua eficácia, o Teste da Orelhinha ainda não é feito em larga escala. Entretanto, algumas cidades brasileiras incluíram o tema na pauta municipal obrigando a realização do teste. Como é o caso de Maceió, onde a lei municipal 5555/06, do vereador Carlos Ronalsa, torna obrigatória a realização do teste em crianças nascidas na capital.

Embora seja fundamental a existência da lei, ela não está sendo cumprida. Atualmente, o único lugar que disponibiliza o aparelhos de emissões otoacústicas para realização dos testes é a clínica da AAPPE, mas mesmo assim há dificuldades na realização por causa da burocracia.

“Desde meados de abril nós estamos com o serviço pronto para ser ofertado à população, mas a falta de repasse por parte do Sistema Único de Saúde (SUS) tem deixado o serviço ocioso. A demanda existe e está reprimida pela falta pela burocracia”, afirma a fonoaudióloga, que é uma das responsáveis pela clínica.