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Caso de jovem que teve couro cabeludo arrancado em kart ‘é difícil’ e tratamento vai durar anos, diz especialista

Jovem que sofreu o escalpelamento foi fotografada momentos antes do acidente na corrida de kart, no Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

O tratamento da jovem que teve o couro cabeludo e parte da pele arrancada em um acidente de kart vai durar anos, segundo o cirurgião plástico e especialista em microcirurgia reconstrutiva Marco Maricevich. “É um caso complexo, complicado, difícil demais, mas a atitude precisa ser positiva. Tem que cercar a paciente com energia boa e com muito entusiasmo”, afirmou ao G1, por telefone, o médico, que vem acompanhando o caso dela à distância.

“Ela vai precisar de outras cirurgias e deve ser acompanhada por vários profissionais, mas o objetivo é que ela tenha uma vida normal durante o tratamento. Ela não precisaria ficar internada”, disse.

Débora Stefanny Dantas de Oliveira, de 19 anos estava andando de kart com o namorado em uma pista em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, quando o cabelo, que era na altura da cintura, soltou da touca e ficou preso no motor, no domingo (11). A pele foi arrancada desde a altura dos olhos até a nuca da jovem. Ela está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração.

Formado em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Maricevich é, atualmente, professor assistente do serviço de cirurgia plástica do Baylor College of Medicine em Houston, no Texas, nos Estados Unidos, e lida com casos similares ao de Débora frequentemente. Desde o acidente, o especialista tem trocado informações com a equipe médica que atendeu a jovem.

“Eu soube do caso através do meu irmão gêmeo, que também é cirurgião plástico no Recife. E, no mesmo dia [do incidente], o doutor Jonathan Vidal, médico de Débora, entrou em contato comigo para discutirmos o caso”, relatou o cirurgião.

Maricevich explica o contato com os médicos do Recife tem sido feito por telefone. Em casos complexos como esse, é comum que os cirurgiões conversem entre si para discutir detalhes médicos, possibilidades de abordagens cirúrgicas e de tratamentos para buscar o melhor resultado, disse.

“Eu estou participando de uma forma indireta, dando apoio e conselhos. O médico que acompanha Débora, doutor Jonathan Vidal, é um cirurgião muito preparado e competente”, apontou Maricevich.

A jovem foi socorrida pelo namorado, o microempresário Eduardo Tumajan, para o HR. Eduardo disse que pegou “o rosto dela na mão”, colocou em uma sacola e correu para levá-la ao hospital. O reimplante foi feito no atendimento de emergência. Os médicos conseguiram recuperar e reimplantar 80% da área atingida.

Após o reimplante, Débora passou por outra cirurgia para a retirada de trombos que surgiram na área do procedimento e, desde então, está internada na UTI. Na quinta-feira (15), os médicos do Recife apontaram o risco de que o procedimento inicial não funcione devido ao aparecimento de microtrombos – obstruções nas veias e artérias da área operada. O quadro clínico dela é estável.

Família estuda transferência

Na manhã deste sábado (17), Douglas Nascimento, tio de Débora, contou à equipe do G1, por telefone, que ela pode ser transferida para o interior de São Paulo. “Estamos estudando a possibilidade de que ela vá para o Hospital Especializado de Ribeirão Preto, mas ainda não sabemos como ela seria transportada”, disse.

O namorado de Débora, Eduardo Tumajan, já havia falado sobre uma possível transferência para os Estados Unidos. O Hospital da Restauração informou que soube da intenção da família de transferi-la e garantiu que, caso isso ocorra, a paciente contará com o apoio da equipe médica do HR.

De acordo com o doutor Marco Maricevich, levar Débora a um centro de referência em cirurgia reconstrutiva é fundamental para que o tratamento avance.

“A equipe inteira é muito importante no processo. Uma cirurgia reconstrutiva como a de Débora envolve cerca de três cirurgiões plásticos que tenham a microcirurgia reconstrutiva como rotina, instrumentador e um corpo de enfermagem acostumados com os procedimentos, além de fisioterapia e serviço social”, enfatizou Maricevich.

Para ele, o centro de Ribeirão Preto é o mais recomendado por ter uma equipe que atende a esses requisitos. “Eu conheço o centro e o chefe de microcirurgia, o doutor Daniel Lazo. Ele é muito experiente e talentoso. Além disso, me coloquei à disposição da família para ir a São Paulo e participar da cirurgia”, completou.

O advogado da empresa Adrenalina Kart Racing, Carlos Arthur Ferrão Júnior, acompanhou a perícia a distância e apresentou o documento com regras da atividade que é assinado pelos participantes antes de entrarem na pista. Segundo ele, todos os procedimentos de segurança foram tomados.