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Negro tem maior probabilidade de ser assassinado no Brasil, diz Ipea

Risco de homicídio tira 1,73 ano de expectativa de vida do negro, e 0,71 ano do não negro.

ABrIpea: mais de 60 mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil

Ipea: mais de 60 mil pessoas são assassinadas por ano no Brasil

A probabilidade de um brasileiro de cor negra ou parda ser assassinado no País é oito pontos percentuais maior do que a de um não negro (brancos e amarelos). O dado é destacado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em seu Boletim de Análise Político-Institucional, divulgado nesta quinta-feira (17).

A pesquisa lembra que mais de 60 mil pessoas são assassinadas no Brasil a cada ano e destaca que “há um forte viés de cor/raça nessas mortes”. Segundo o diretor de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Ipea, Daniel Cerqueira, que assina o levantamento, o negro é discriminado duas vezes no Brasil: pela condição social e por sua cor da pele.

Os dados do estudo dão conta de que a taxa de homicídios entre negros e pardos (36,5 por 100 mil) é mais do que o dobro do que entre não negros (15,5 por 100 mil). Como consequência desse quadro, a perda de expectativa de vida para negros devido à violência letal é 114% maior.

Os pesquisadores envolvidos na pesquisa destacaram que, se no Brasil a exposição da população como um todo à possibilidade de morte violenta já é grande, ser negro significa pertencer a um grupo de risco, já que a cada três assassinatos, dois são de negros.

Somada a população residente nos 226 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, o Ipea calcula que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos.

Segundo o instituto, os dados indicam que enquanto o homem negro perde 1,73 ano de expectativa de vida ao nascer, a perda do branco quando se considera o risco de homicídio é de 0,71 ano. Esses números levam o Ipea a questionar se existe racismo institucional no Brasil.

Desconfiança
Outro indicador destacado pelo Ipea contribui para a hipótese do racismo institucional: enquanto apenas 38,2% dos não negros vítimas de agressão tendem a não procurar a polícia para registrar o crime, quando se trata de negros a proporção sobe para 68,8%.

Entre as razões para não buscar auxílio policial estão a falta de crença no trabalho da polícia e o receio de sofrer represálias. Entre os negros, esse medo é maior (60,7%) do que entre os não negros (39,3%). Não por acaso: segundo o levantamento, negros compõem a maior parte das vítimas de agressão por parte de policiais.

A Pesquisa Nacional de Vitimização mostra que 6,5% dos negros que sofreram uma agressão no ano anterior à coleta dos dados pelo IBGE, em 2010, tiveram como agressores policiais ou seguranças privados, contra 3,7% dos brancos. Para o Ipea, enquanto existir essa diferença de dados entre cidadãos de cor diferente, a democracia estará incompleta.

Fonte: R7

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