Nunca mais!

Indo me deitar após uma orgia gastronômica noturna, a sensação de empachamento me faz dizer em voz alta que “amanhã ao acordar, não vou comer nada – aliás, o dia inteiro, quiçá a semana toda irei tomar apenas água”.
Porém, ao acordar, o trânsito, o fluxo, a fila ou as horas fizeram seu trabalho e o que me parecia inimaginável à noite, acontece. Ponho um copo de suco somado a um queijinho, uma fruta e o prato vai crescendo – sabe como é que é, hoje já me deu uma pequena fome…
No primeiro semestre, o que eu mais ouvia – de mim mesmo, inclusive – era que todos estavam desanimados para essa Copa do Mundo, que ninguém estava mais torcendo e vibrando como antes e tal. Mas, bastou a Seleção Brasileira começar a jogar, todos – eu inclusive – começaram a se animar, comprar camisas, bandeiras e Neymar e cia viraram assunto predominante nas redes sociais.
O mesmo aconteceu nas eleições. Não havia nenhum candidato que me enchesse os olhos. A maioria das pessoas ao meu redor estava bastante desencantada com as opções apresentadas e, consequentemente, com o futuro do país. Mas, foi só começar a corrida eleitoral que se deu majoritariamente pela internet, para todos se envolverem visceralmente – até para passeata fui, imaginem…
Impressionante é constatar quão ingênuos somos quando dizemos “nunca mais eu bebo na vida” após uma enorme e descontrolada bebedeira, ou “nunca mais compro nada com uma prestação tão longa” após pagar a última parcela, ou “não me apaixono por mais ninguém” após levar mais uma cacetada amorosa. Fazemos essas promessas baseadas em nossas sensações do presente esquecendo que as horas, os dias e os anos fazem sempre a sua parte e o futuro vem novinho em folha sorrindo para nós quase num deboche, seja na forma de um pãozinho quente, uma cerveja geladíssima, uma bela promoção em dez vezes sem juros ou um sorriso encantador brilhando na nossa frente. Felizmente, temos essa capacidade de sentir fome no outro dia – nossos planos geralmente caem por terra assim que deixamos de sentir a dor ou o desconforto que nos afligia.
Essas são algumas provas de que, no fundo, não passamos de seres  emocionais que sucumbem às necessidades do momento, e que estas perdem a relevância no instante em que as alcançamos-sobretudo de forma exagerada- por isso, uma vez plenamente saciados, somos incapazes de nos imaginar desejando novamente aquilo que está, nesse momento, no último lugar da fila.

Veja Mais

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Receba notificações no seu whatsappReceba nossas notificações