João Gabbardo: volta à normalidade não será igual em todo o Brasil

Agência Brasil

Em entrevista à CNN nesta sexta-feira (5), o médico João Gabbardo, chefe do centro de combate ao novo coronavírus em São Paulo, afirmou que a volta à normalidade não será igual em todo o país.

Segundo ele, os estados da região norte estão na fase mais adiantada da epidemia, ou seja, já chegaram a um platô de casos ou até mesmo já têm uma curva descendente e, por isso, terão um retorno à normalidade um pouco mais cedo.

Na região sul, por outro lado, é possível que a epidemia nem tenha começado, que ocorra nas próximas três ou quatro semanas ou que nem aconteça.

“Em São Paulo, acredito que algumas regiões já possam, dentro de uma ou duas semanas, começar a abrir as atividades, mas sempre monitorando os indicadores que mostram a transmissibilidade da doença e a disponibilidade de leitos de UTI”, disse.

Perguntado sobre os motivos que em outros países foi possível iniciar uma reabertura da economia só depois que as taxas de novos casos caíram e no Brasil, apesar da curva estar em ascendência, já estar se preparando para a retomada, Gabbardo disse que não tiveram o tempo que o Brasil teve para se preparar.

“Então eles tiveram um número de casos muito alto simultaneamente e, por isso, aconteceu o colapso, essa quantidade de óbitos tão grande quando se compara com a população”, falou.

Segundo o ex-secretário executivo do Ministério da Saúde na gestão de Luiz Henrique Mandetta, como o Brasil iniciou o isolamento mais precocemente, ganhou no fato de não ter muitos doentes e óbitos simultaneamente.

“Mas isso tem um custo: vamos enfrentar essa situação por um tempo maior, mas com menos possibilidade de óbitos porque os hospitais estão preparados e não deve ocorrer um acúmulo de pacientes necessitando atendimento de UTI”.

CLOROQUINA

Sobre administrar o medicamento nas fases inicial e média da Covid-19, Gabbardo afirmou que não há evidências de que os pacientes serão beneficiados.

Além disso, segundo ele, mais de 80% das pessoas que têm o novo coronavírus apresentam sintomas muito leves e, portanto, não vão precisar ir ao hospital.

“Agora, se submetermos todas essas pessoas ao uso da cloroquina, vamos submeter a um risco uma população imensa de forma desnecessária”, explicou.

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Ao analisar a nova gestão da pasta, Gabbardo disse que a primeira coisa que mudou foi a divulgação e a atualização dos dados.

“Desde o primeiro caso confirmado no Brasil decidimos que todos os dias às 17h informaríamos a nação sobre o que estava acontecendo porque quando vamos pedir apoio da população, das instituições e das autoridades governamentais é fundamental que as pessoas saibam porque estamos fazendo isso”.

O médico também explicou “a polêmica” quando se diz “que tivemos registro de mil óbitos nas últimas 24 horas.

“É óbvio que não foram mil óbitos que ocorreram nas últimas 24 horas. São óbitos que ocorreram nos dias anteriores e só agora se teve a confirmação. [Mas] isso não significa que os registros que são feitos naquele dia devam ser minimizados”, afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje a jornalistas em Brasília que a divulgação dos dados de casos e mortes por Covid-19 no Brasil às 22h busca “dados consolidados”.

Aos jornalistas no Palácio da Alvorada nesta noite, o presidente disse que “não interessa” saber de onde partiu a ordem para a mudança no horário de divulgação. “Olha, não interessa de quem partiu. Acho que é justo sair dez da noite. Sair o dado completamente consolidado”, afirmou.

Bolsonaro também citou reportagens publicadas na imprensa a respeito dos números da pandemia do novo coronavírus no país e disse que, “se ficar pronto” antes, o levantamento pode ser divulgado, mas que “ninguém deve correr” para apresentar os dados a tempo de que estes sejam registrados em jornais de veículos de imprensa.

Fonte: CNN Brasil

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