Psicologia e Influencers

Nestes últimos meses, presenciamos não somente um levante de lives nas redes sociais como também a queda de alguns influenciadores digitais. Os influenciadores são os novos hollywoodianos da Cultura de Massa, cujo mercado movimenta milhões por ano. Eles são amados, odiados, tornam-se heróis bem como inimigos de seus seguidores.

A verdade é que este fenômeno não é novo e ninguém deveria se espantar tanto com os “escândalos” dos influenciadores. Isso já acontecia com as celebridades de Hollywood antes mesmo da internet existir. Todos se esquecem, tanto seus seguidores quanto o próprio influencer, que por detrás dos perfis de facebook, youtube e instagram do influenciador, reside um mortal, imperfeito, cheio de questões, assim como qualquer um.

Os perfis das redes sociais não representam inteiramente a complexidade do ser humano (pelo menos, por enquanto), e quanto mais se acreditar e criar a expectativa de que se é tal perfil, mais frustrações são criadas também.

Isso se dá pois há uma confusão de identidades: muitos influenciadores abrem suas casas, suas intimidades e acabam acreditando que são unicamente esta figura pública, ao seu ver, quase-perfeita, mesmo que inconscientemente. Por outro lado, seus seguidores se identificam com essa figura e projetam nela a perfeição que lhes falta, criando expectativas. Daí, quando os influenciadores “pisam fora” dessa expectativa, a luz criada por ambos transforma-se em sombra coletiva.

Edgar Morin, no livro “Cultura de Massas do Século XX”, aponta que as celebridades possuem uma característica olimpiana (Mitologia Grega), ou seja, são consideradas quase que divindades pelos seus fãs. Vale lembrar que um dos “pecados” na Mitologia Grega é cometer hybris – tentar igualar-se aos deuses. Ícaro, Prometeu, Sísifo, entre outros, tentaram e foram castigados por isso.

Quanto maior a luz, maior a sombra. Quanto mais o influenciador e seus seguidores acreditarem que ele é o que ele demonstra ser em suas redes digitais, unicamente, mais sua sombra irá crescer e um dia escapar. A queda, neste caso, é inevitável, pedagógica e natural, afinal, crises assim são fundadoras e ampliadoras de consciência.

Será possível um meio termo? Somente o tempo dirá.

* É Doutor em Comunicação e Cultura, Psicoterapeuta junguiano e palestrante.

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