Mulheres denunciam pastor por crimes sexuais em igreja de Goiânia

Vítimas relatam que abusos ocorreram em momentos de fragilidade, quando elas pediram conselhos ao religioso. Defesa de Joaquim Gonçalves Silva nega as acusações. Casos foram registrados na Polícia Civil.

Ao menos quatro mulheres denunciaram o pastor Joaquim Gonçalves Silva, de 85 anos, por abuso e importunação sexual. Ao G1, as vítimas contaram que os casos aconteceram entre os anos de 2002 e 2021, durante atendimentos na Igreja Tabernáculo da Fé, em Goiânia. Os casos foram registrados na Polícia Civil.

A defesa do pastor nega as acusações e afirma que elas fazem parte de uma tentativa de retirar o religioso do comando da igreja. “É um barulho de uma família que busca derrubar o pastor, mas não vão conseguir, ou seja, não é verdadeiro”, afirmou o advogado Osemar Nazareno Ribeiro.

Pastor Joaquim Gonçalves Silva segura microfone - foto de arquivo — Foto: Reprodução/TV AnhangueraPastor Joaquim Gonçalves Silva segura microfone – foto de arquivo — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Outras vítimas

Pelo menos outros três casos foram registrados entre janeiro e abril deste ano na Polícia Civil, desta vez na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

Duas mulheres, uma de 37 e outra de 40 anos, afirmam terem sido abusadas pelo pastor, uma em 2015 e outra em 2018. Uma delas relata que o abuso aconteceu quando, assim como a adolescente, foi pedir ajuda ao religioso.

“Foi quando meu irmão morreu e eu terminei um relacionamento. Eu via nele a figura de um pai e, então, decidi pedir ajuda. Fui no escritório dele, estávamos só nós dois e, depois da conversa, ele me deu um abraço, me apertou muito, começou a beijar meu rosto e veio para beijar minha boca, quando eu virei”, afirmou.

Antes delas, a primeira denúncia na Polícia Civil foi registrada por uma mulher de 46 anos. Ela relata ter sido abusada por diversas vezes entre os anos de 2002 e 2006. Ao G1, ela contou que permaneceu em silêncio por todo esse tempo porque tinha medo de que ela ou sua família fossem prejudicadas.

“Eu fazia trabalhos voluntários na igreja e amava, porque aquela era minha missão. No começo, ele dizia que, se eu contasse para alguém, iria me tirar da igreja, do trabalho. Depois, quando contei para minha família, ele mandou um aviso, pelo meu irmão, que alguém iria machucar eu, meu marido e meu filho, caso eu o denunciasse”, contou.

Investigação

Sobre esses três últimos casos, a Polícia Civil informou que “não foi dado prosseguimento por impossibilidade jurídica”. A delegada Cássia Sertão explica que os casos prescreveram porque não foram registrados dentro do tempo hábil para abrir uma investigação.

No entanto, a delegada afirma que o relato dessas vítimas pode contribuir para a investigação do caso em apuração na DPCA.

“Elas registraram a ocorrência e foram avisadas de que, não havendo a representação criminal, não tinha como a polícia investigar os fatos (…). A fala dessas mulheres fortalece a fala da menor de idade, que não prescreveu”, afirmou a delegada.

Segundo as próprias vítimas, uma investigação foi aberta pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO), por meio do promotor de Justiça Joel Pacífico de Vasconcelos, que apura as denúncias.

G1 solicitou mais informações sobre as investigações ao MP-GO, mas o órgão apenas confirmou que investiga o caso, sem dar mais detalhes.

 

 

 

 

Igreja Tabernáculo da Fé em Goiânia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

DEFESA

NOTA PÚBLICA.
A defesa do pastor Joaquim Gonçalves Silva manifesta respeito a todas as mulheres que foram ou estão sendo verdadeiramente assediadas, contudo, as acusações de assédio noticiadas contra ele são falsas e mentirosas. A campanha injuriosa, difamatória e caluniosa engendrada por um pequeníssimo grupo de pessoas, formado de homens e mulheres, tem por finalidade a tomada da liderança da Igreja Evangélica Cristã – Tabernáculo da Fé -, à qual ele foi fundador e lidera com vigor no auge dos seus 85 anos, sempre na
retidão, com conduta moral reconhecidamente ilibada, pública e notória. Este pequeníssimo grupo de pessoas, cuja competência, compromisso com o sacerdócio e Deus ainda carecem de desenvolvimento, acreditam que apagando a luz do outro para a sua brilhar, alcançarão resultados que exigem anos de trabalho, sem oferecer em troca a prática contínua do esforço, dedicação e disciplina.
No início, o pastor foi vítima de preconceito em razão de sua idade, praticado por este diminuto grupo que vociferavam que “velho” não pode liderar uma igreja, porém, não tiveram resultados com esta estratégia. Depois, foi vítima de extorsão, sob pena de ataques à sua moral. Agora, denúncias de assédio, absolutamente falsas, veiculadas na imprensa que buscam impingir uma culpa midiática.
Embora seja da natureza do religioso dar o perdão e a outra face para bater, há limites na lei de César. Assim, responderá as imputações de assédio para as autoridades competentes e tomará as providências cabíveis perante a justiça contra este reduzido grupo, formado de homens e mulheres, momento em que serão identificados.

Advogados: Leandro Silva e Osemar Nazareno.

Fonte: G1 GO

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