Homem mata jovem atropelada após assediá-la; veja o que se sabe

Vanessa Machowski — Foto: Reprodução/Redes sociais

Vanessa Machowski, 18 anos, foi morta após ser atropelada em Itajaí, no Litoral Norte catarinense, na noite de domingo (10). A vítima foi atingida minutos depois de sofrer assédio verbal do motorista, segundo a Polícia Militar.

O suspeito, Juciano Marinho Gomes, de 35 anos, foi preso em flagrante e deve responder por homicídio qualificado e embriaguez ao volante. Ele disse à Polícia Civil que atropelou a jovem “sem querer”. A defesa dele informou que não vai se manifestar sobre o caso a pedido da família dele.

A prisão preventiva de Juciano foi decretada na segunda-feira (11). O sepultamento de Vanessa ocorreu às 9h desta terça (12).

1. Como e quando foi a morte
Vanessa estava com o namorado, de 21 anos, no bairro Cordeiros por volta das 21h30 no domingo (10). Ele disse à Polícia Militar que ambos conversavam, ele dentro da cabine de um caminhão estacionado e ela do lado de fora, quando uma caminhonete Tucson parou ao lado da jovem. O motorista de 35 anos a assediou verbalmente.

O namorado, então, desceu do caminhão para ver o que estava ocorrendo. O motorista da Tucson também saiu do carro. Segundo o namorado da vítima, ele estava com fortes sinais de embriaguez.

Houve uma discussão e o motorista da Tucson voltou para o veículo e saiu do local. Depois de cerca de 5 minutos, porém, ele voltou e jogou o carro em cima da jovem. Ela foi esmagada contra o caminhão e o autor do atropelamento fugiu em alta velocidade.

2. Socorro à vítima
A jovem recebeu os primeiros socorros no local e depois foi levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Cordeiros pelo Corpo de Bombeiros Militar, mas não resistiu.

Os socorristas encontraram a vítima inconsciente. Conforme os bombeiros, ela teve politraumatismo e suspeita de hemorragia interna.

3. Fuga do suspeito
A Polícia Militar foi chamada e fez buscas. Os agentes encontraram o motorista da Tucson deitado na rua com alguns cortes no rosto. O carro foi encontrado em uma via em frente à casa dele.

O veículo estava amassado, indicando que houve a batida. Segundo a PM, o motorista confirmou que jogou o carro na direção da jovem. Como ele estava ferido, ele foi levado para a UPA do bairro Cordeiros. O carro Tucson foi guinchado.

Segundo a PM, o homem tem passagens policias por injúria, difamação, lesão corporal contra a mulher e pertubação ao sossego. Agentes identificaram sinais de embriaguez.

4. Depoimento do suspeito
O flagrante e a tomada de depoimento foram feitos pelo delegado Eduardo Ferraz. “A versão que ele [suspeito] deu para a gente é que houve uma discussão com o namorado e a vítima. Não soube dizer por que, estava embriagado na hora. Disse que foi agredido pelo namorado [da vítima] e outras pessoas que estavam ali e, indo embora, acabou atropelando a vítima sem querer”, relatou o delegado.

Conforme Ferraz, durante o depoimento Juciano tinha forte odor de álcool.

5. Depoimento do namorado da vítima
O delegado também relatou o depoimento do namorado de Vanessa. “Disse que ele [suspeito] teria passado e mexido com a menina. Começaram a discutir, o homem entrou no carro, voltou e tentou atropelar os dois, mas acabou atingindo só ela”.

6. Prisão preventiva
Segundo a decisão da juíza Anuska Felski da Silva, da 1ª Vara Criminal de Itajaí, há indícios suficientes de autoria e prova de materialidade nos autos para a conversão da pena preventiva. A sentença proferida na segunda (11).

“Considerando o contexto social de violência em relação às mulheres, demonstra que medidas cautelares alternativas são insuficientes para evitar que o réu venha novamente dirigir embriagado, insultar mulheres supostamente desconhecidas na rua e agir de modo a ceifar-lhes a vida, o que, sem dúvida, gera intranquilidade no seio social, e reclama a medida extrema”, escreveu a juíza.

A magistrada ainda destacou, na decisão, a hipótese de feminicídio, “já que há indícios de que o condutor a teria assediado, dizendo-lhe ‘gostosa’, sendo que após ser repreendido e ter discutido com o namorado desta (homem), prosseguindo em atitude – também em tese – de desvalor à vítima (mulher), projetou seu carro contra a mesma, ceifando-lhe a vida”.

O crime de homicídio qualificado é previsto no artigo 121 , parágrafo 2° do Código Penal e prevê pena de 12 a 30 anos de prisão. Já a embriaguez ao volante, prevista no artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro, tem pena de 6 meses a 3 anos de prisão e suspensão da CNH.

 

Fonte: G1

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