Santa Casa nega omissão na morte de idosa

JOSÉ LEOMAR

O diretor da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza, Luiz Marques, afirmou, ontem, que não houve omissão da instituição em prestar atendimento a dona de casa Maria Cícera de Araújo, de 56 anos, que segundo a família, morreu na noite de sábado, na calçada do Passeio Público, em frente a instituição filantrópica, no Centro de Fortaleza, sem atendimento.

"O diretor técnico Régis Miranda, que estava de plantão na Unidade de Tratamento Intensivo, orientou os policiais militares que, se caso a cidadã estivesse com vida a trouxesse para o hospital que nós faríamos o atendimento emergencial e prioritário, caso contrário, chamassem o Samu para fazer o procedimento normal", declarou Luiz Marques.

O responsável pela unidade hospitalar disse ainda, que os policiais militares apareceram na Santa Casa por volta das 20 horas, solicitando médicos para atestar o óbito de Maria Cícera, "esse tipo de procedimento não é normal, principalmente quando se tem uma emergência lotada, e com 50 pessoas aguardando por atendimento".

Ele informou também, que logo que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou ao local, confirmou a morte da mulher e acionou o rabecão do Instituto Médico Legal (IML).

"Nenhum familiar esteve aqui conosco, muito menos a vítima. Nós só tomamos conhecimento do caso, pois fomos comunicados pelos policiais, que adentraram o hospital".

Até o fechamento dessa edição, a reportagem tentou entrar em contato com a promotora de Justiça da Saúde Pública, Isabel Porto, para saber o posicionamento do Ministério Público sobre a situação, porém os telefones da promotora estavam desligados ou encontravam-se na caixa postal.

Segundo familiares, a mulher, que sofria de asma, saiu de casa sozinha e se dirigiu ao hospital para receber inalação via nebulização, como fazia rotineiramente. Mas desta vez não deu tempo de chegar. Ela teve uma crise em frente à unidade de saúde e foi socorrida por um casal que passava pela rua no momento. Eles entraram no hospital para pedir ajuda, mas receberam de funcionários a informação de que a dona de casa só poderia dar entrada na unidade se chegasse em ambulância

Segundo o irmão de Cícera, Raimundo Araújo, os funcionários da Santa Casa disseram ao casal que qualquer pessoa poderia pegar a maca para socorrê-la. "Ela morreu à míngua na calçada. Nenhum médico do hospital saiu para ver minha irmã", afirmou. A cunhada de Maria Cícera, Aila Xavier Brito, informou que o hospital também se negou a fornecer o atestado de óbito da dona de casa. Dois policiais do Ronda do Quarteirão avisaram à família da morte e Maria Cícera de Araújo foi sepultada na tarde do último domingo, dia 2.

Instituição

A unidade de saúde, é composta por 425 leitos, atende 13 mil pacientes por mês e realiza 40 cirurgias diárias. Segundo o provedor da Santa Casa de Misericórdia, Luiz Marques, a instituição é referência no tratamento de câncer de cabeça e pescoço, no Brasil, e em cirurgias urológicas, no Nordeste.

A construção imponente que ocupa um quarteirão na Rua Barão do Rio Branco, Centro, foi fundada há 150 anos, porém no segundo semestre de 2010, o hospital passou por sérios problemas financeiros e estruturais enfrentados, faltaram equipamentos essenciais como tomógrafo, mamógrafo, entre outros.

THAYS LAVOR
REPÓRTER
diariodonordeste.com

JUSTIFICATIVA
"Pediram para os médicos atestarem o óbito, porém a emergência estava lotada"
Luiz Marques, diretor da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza.

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