Estudante do Cesmac será primeira jornalista "cega" de Alagoas

Superando limites e rompendo preconceitos, sempre com um incrível bom humor e uma pitada especial de "doçura’, Fabrícia Barbosa de Omena, mostra que é possível vencer quando se tem coragem. Cega de nascença, aos 18 anos, ela descobre os desafios de cursar uma faculdade. Após dois vestibulares de Direito perdidos, foi aprovada em Jornalismo.

Para Fabrícia, seus passos rumo ao futuro representam luz para centenas de maceioenses portadores de necessidades especiais, sem perspectiva de crescimento.

Quem a vê, sempre com um belo sorriso nos lábios, não imagina quantas dificuldades ela enfrenta diariamente. Fabrícia conta que desde criança sonhou em ser advogada como o pai, mas descobriu, no jornalismo, sua verdadeira vocação. “Depois de perder dois vestibulares, comecei a pesquisar algumas profissões na internet e descobri, no Jornalismo, a profissão ideal para mim. Adoro ler e escrever e, acima de tudo, me interesso pelos problemas da sociedade ao qual pertenço”, explica.

Situações semelhantes a de Fabrícia são vivenciadas, no Brasil, por cerca de 750 mil pessoas portadoras da mesma deficiência. Os dados obtidos pela Organização Mundial da Saúde não são precisos mas servem como base, uma vez que não existe estatística oficial sobre deficiência em nosso país.

O que se sabe é que um dos maiores problemas enfrentados pelos cegos é a falta de investimentos em áreas básicas, como educação e cultura. Um dos principais motivos da falta de investimento é o alto custo. Na produção de livros em Braile, por exemplo, o gasto é de quase o dobro se comparado a livros comuns.

Superando desafios

Quando perguntada sobre as dificuldades que vai enfrentar no exercício da profissão, Fabrícia lembra que sempre venceu os desafios pelo cansaço. “Ainda durante os primeiros vestibulares enfrentei obstáculos que pareciam impossíveis, pois a universidade não possuía máquina Braille para que eu pudesse fazer os cálculos matemáticos. Então, tive que fazer todos de cabeça e respondê-los oralmente. E ainda hoje na faculdade, minha maior dificuldade é quando vou estudar. A instituição não possui livros em Braille. Por isso, tenho que tirar cópia dos capítulos e minha mãe ou minhas irmãs ditam para que eu reescreva todos os textos em Braille” conta.

Em contrapartida, a coordenadora do curso de Comunicação Social do Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), Cristina Brito, explica que a instituição ainda está em fase de adaptação, por isso não possui em sua biblioteca setorial livros em Braille. “Logo estará sendo encaminhado ao Ministério da Educação, o pedido de livros que facilitem o estudo de Fabrícia e de outros portadores de deficiência visual que estão por vir”, afirma Cristina.

Em Alagoas somente agora iniciativas como a do Governo Estadual, de entregar aos estudantes livros didáticos em Braile, para alunos da rede pública, estão sendo realizadas. Entretanto é óbvio que os livros transcritos são os mais básicos possíveis. Jornais em Braile, nem pensar!

No Brasil, grande parte dos deficientes visuais pertencem à famílias de baixo poder aquisitivo, entre os quais, poucos conseguem terminar o ensino médio, o que acaba comprometendo sua formação pessoal. São pessoas excluídas de qualquer avanço que venha beneficiá-los. Como é o caso dos sistemas de informática avançados que usados para diminuir as limitações. Computadores, sistemas de áudio, gravadores portáteis e até o mais recente programa de leitura conhecido como Jaws, estão conseguindo diminuir as distâncias entre a cegueira e o crescimento pessoal.

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