O cadeião na paranóia anticomunista

No final da década de 1960, no auge da ditadura militar, a paranóia anticomunista criou fantasmas; dizia-se que se as unidades militares em Recife se rebelassem, a base naval mais próxima ficava em Natal e era necessário construir uma unidade vizinha; que tal uma Escola de Aprendizes Marinheiro em Maceió?

Foi isso o que aprovaram; o prédio do Detran, que hoje querem transformar em Cadeião, foi construído para formar marinheiros. Ocorre que não houve planejamento sobre a demanda de candidatos; e a Escola Aprendizes Marinheiros de Alagoas, para não ficar ociosa, viu-se obrigada a completar as vagas com candidatos de outros Estados, principalmente do Rio de Janeiro.

Não dava para continuar assim; era caro demais para a Marinha – e o governo federal. Mas, nada é totalmente perdido e os cariocas, geralmente negros das favelas do Rio, que vieram Maceió, ajudaram a aperfeiçoar as escolas de samba alagoanas; os aprendizes marinheiros desfilavam nas baterias da Unidos do Poço, 13 de Maio e Jangadeiros, entre outras.

Também brigavam no Carnaval; quando soldados do Exército, da PM e da Marinha se encontravam na folia era o maior quebra-pau. Na época servia ao Exército e, para prevenir confusão, os comandantes decidiram criar patrulhas mistas, formadas por militares de cada uma das corporações.

No Carnaval em Maceió era assim, até a Escola Aprendizes Marinheiros fechar. O prédio foi repassado para a Universidade Federal de Alagoas, que instalou lá a área III, de Ciências Humanas. Em 1976, o reitor Manoel Ramalho, temendo acidente grave na Salgema (hoje Braskem), exigiu 500 máscaras contra gases e uma brigada de Bombeiros em prontidão permanente.

Não atenderam a reivindicação e o reitor levou a área III para a Cidade Universitária, funcionando precariamente por falta de acomodações – o Campus ainda estava sendo construído.

O prédio foi repassado para o Estado, que instalou lá a Secretaria de Segurança Pública, o Detran e Academia de Polícia Civil.

O tempo passou e, agora, volta-se à discussão sobre o que fazer com o prédio que a paranóia anticomunista inventou e a insensibilidade pública propõe transformar em cadeião.

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