Condecore Felipe Miranda com a Medalha da Ordem Nacional do Mérito!

Escrevo esta mensagem contra a vontade do meu sócio e amigo Felipe Miranda. Sinto-me na obrigação de fazê-lo.

Lendo a edição de hoje da Folha de S.Paulo, não consigo disfarçar o sorriso. A matéria publicada na página A6, Poder, com o subtítulo “Brasil em Crise”, traz uma entrevista dada pela presidente Dilma Rousseff, ontem, a alguns meios selecionados. O título da matéria: “Dilma afirma que errou na avaliação da economia”.

Reproduzo aqui o trecho sobre os erros da presidente:

Erro 1

“Vocês sempre me perguntam: em que você errou? Eu fico pensando (…). Em ter demorado tanto para perceber que a situação podia ser mais grave do que imaginávamos. E, portanto, talvez nós tivéssemos de ter começado a fazer uma inflexão antes”, disse. “Talvez porque não tinha indício de uma coisa dessa envergadura. A gente vê pelos dados”, justificou. “Nós levamos muito susto. Nós não imaginávamos. Primeiro que teria uma queda da arrecadação tão profunda. Ninguém imaginava”. Para a presidente, a crise só ficou evidente entre novembro e dezembro.

Erro 2

“Gasto público. Talvez o meu erro foi não ter percebido prematuramente que a situação seria tão ruim como se descreveu. Ela [dificuldade] começa em agosto. Só vai ficar grave entre novembro e dezembro. É quando todos os Estados da federação percebem que a arrecadação caiu”, disse.

A leitura dessa matéria provocou em mim um flashback. Fui remetido a agosto de 2014, na antiga sede da Empiricus.

Aquelas manhãs de agosto foram difíceis. O silêncio matutino, habitual nas primeiras horas do dia na Empiricus, aproximava-se do quase absoluto, quebrado apenas pelo digitar das teclas de computador.

Tentando inutilmente mudar o clima, eu fazia as manjadas observações futebolísticas, tentando criar polêmicas inconsequentes, mas bem-vindas em situações de clara tensão. Obtinha pouco sucesso.

Felipe Miranda, em especial, estava carrancudo. Com a barba sempre por fazer, Felipe estava mais pálido do que normalmente já é. Apresentava sintomas claros de noites sem dormir, apesar dos vários frascos de Melatonina que percebia em sua mesa.

A barra que esse jovem de 29 anos estava enfrentando, eu não desejava a ninguém. Já se passara mais de um mês do início da divulgação do relatório/vídeo “O Fim do Brasil”, e a pressão atingia o limite. Naquele mês, fomos empurrados para o olho do furacão da disputa política e ideológica no embate eleitoral mais violento que o País já viu. A Empiricus como um todo e o Felipe Miranda em particular eram alvos de ataques selvagens, vindos especialmente de meios ligados ao Governo Federal e a seu Partido.

Esses ataques vinham tingidos de um ódio que mesmo nós, analistas de investimentos calejados com a agressividade do mercado financeiro, não estávamos acostumados. E foi duro digerir toda essa raiva a nós direcionada – especialmente para esse jovem economista, que mostrava uma fibra e uma convicção tão raras nos tempos frouxos de hoje em dia.

Fomos atacados por meios de comunicação, sites e blogs de “reputação” como Brasil 247, Conversa Afiada, Jornal GGN, Diário do Centro do Mundo, Tijolaço. Além dos incessantes ataques às nossas páginas e contas nas redes sociais. Todos pintando a Empiricus e o Felipe de “terroristas”, “derrotistas”, “vendidos”, “pessimildos”. Fomos xingados, ofendidos. Isso tudo porque resolvemos dar a nossa opinião, o nosso alerta.

Fomos inclusive processados pela própria presidente e sua coligação.

E as críticas não foram restritas aos grupos políticos. Ainda fomos atacados por nossos colegas analistas, talvez incapazes ou talvez impedidos de exercerem a profissão com total independência. Disseram que nossa avaliação era descabida de fundamentos.

Hoje, pouco mais de um ano depois, até a presidente dá razão ao Felipe.

O “terrorista pessimildo” virou visionário. Felipe anteviu de sua mesa o que a presidente falhou em perceber lá do alto do seu gabinete presidencial.

Ficamos felizes por termos ajudado nossos milhares de clientes a se prepararem para a crise que se instalou no País. O sentimento, como profissionais, é de dever cumprido.

Hoje, ao ler as desculpas da presidente, não me contive. Fui à mesa do Felipe e o parabenizei com um abraço. “Você é o cara!”.

E faço aqui meu pedido à presidente. Condecore Felipe Miranda com a Medalha da Ordem Nacional do Mérito!

Um abraço,
Caio Mesquita

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