Cultura


Novo destaque na literatura brasiliense

De maneira humorada, escritor satiriza os problemas cotidianos.

ReproduçãoLivro No Vermelho

Livro No Vermelho

A história do escritor e jornalista Arisson Tavares da Silva, de 25 anos, sempre foi cheia de fatos inusitados. Blogueiro desde 2004 e autor do livro Evolução Decrescente, ele passou por várias adversidades que, apesar de não parecerem tão inspiradoras, deram vida à sua segunda obra humorística: No vermelho. “O livro foi escrito em um período complexo da minha carreira. Meu salário de estagiário ia todo para pagar a faculdade e minha mãe foi diagnosticada com câncer de mama. Além disso, estava ensaiando para dois espetáculos teatrais e me senti no fundo do poço, mas permaneci de pé e isso é visível no livro”, conta o escritor brasiliense.

Publicado pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, que pertence ao grupo editorial Novo Século, a obra apresenta uma coletânea de contos e crônicas bem humoradas que retratam diversos temas, como futebol, velhice, pichação, dieta, horário político, engarrafamento, relacionamentos, fumo e até mesmo o capitalismo. Temas que faziam parte do dia a dia do autor. “Queria mostrar que é possível rir de temas negativos. Ter outro olhar diante das crises”, destaca Arisson.

O talento do jovem escritor garantiu o sucesso do livro, que encheu a Fnac Brasília em seu lançamento. A obra já participou da Bienal do Rio e ganhou espaço na Feira do Livro de Brasília. A história de superação virou até palestra, que passou pela Feira Capital Estudante e pela Faculdade Anhanguera. "Graças a Deus as coisas estão dando certo. Em algumas livrarias o livro já está esgotado e isso para mim é uma grande vitória", revela o artista.

Já em suas primeiras páginas do segundo livro, surge uma explicação do nome da obra:

“Estar no vermelho não é considerado doença, mas pode trazer complicações para o portador desse mal. A falta de dinheiro, por exemplo, pode causar perda de apetite. Você entra no restaurante self-service, morto de fome, mas come apenas uma saladinha para economizar. Outro problema causado pelo clímax
dessa anomalia socioeconômica é a indisposição. Um amigo pode até te chamar para um show da sua banda favorita que não haverá motivação para sair.
Um dos sintomas mais comuns nesse caso são as bochechas avermelhadas. Você está no meio de um almoço em família na sua casa e seu sobrinho de sete anos te lança aquela pergunta que dedetiza o ar com fraternicida:
– Tio, você está namorando?”

Saiba mais sobre o autor lendo a entrevista:

Para você, quem é Arisson Tavares?
Arisson Tavares: Arisson Tavares é um cara que não consegue parar de produzir. Nasci no Gama, Distrito Federal, moro em Taguatinga e sou jornalista graduado pela Faculdade Anhanguera de Brasília. Sou do tipo que gosta de se aventurar em projetos insanos. Sou membro do Núcleo Jovem de Letras e Arte da Academia de Letras do Brasil/DF, do Sindicato dos Escritores e da Cia dos Blogueiros.

Como você começou a escrever? Qual foi sua inspiração?
A.T: Comecei em um blog pessoal em 2004 apenas por diversão. Lembro que eram só uns amigos que acessavam e eu tinha que usar o computador da biblioteca pública para digitar os textos. Foi uma oficina e desenvolvi muito meu lado literário nessa época. Mas foi apenas depois de escrever um texto chamado Evolução Decrescente que parei e pensei: caramba, isso dá um livro. E realmente deu. Juntei vários textos inéditos, reformei outros e foi publicado em 2010. Eu era um moleque explorando um universo de oportunidades. Amadureci bastante, mas ainda tenho muito desse moleque dentro de mim.

Onde você buscou o tema para o seu segundo livro?
A.T: Quando o meu primeiro livro foi publicado em 2010, eu já tinha alguns textos inéditos para um novo projeto. O tema veio da situação que estava. Eu era estagiário e universitário. Estava sendo consumido pelo cotidiano e encontrei na dificuldade uma inspiração. Alguns textos nasceram de comentários de amigos, outros de fatos da minha vida ironizados. Histórias negativas se transformaram em comédia.

Apesar de jovem, você já produziu muita coisa artística. Onde você encontra tempo para fazer tanta coisa?
A.T: Quando a gente gosta realmente de algo, sempre consegue tempo. Lembro que estava de manhã na faculdade, de tarde no estágio e de noite ainda ensaiava para dois grandes espetáculos teatrais em grupos diferentes, mas fazia questão de parar pelo menos uma vez por semana para alimentar o blog e produzir novos textos inéditos. É o que eu gosto de fazer. É o que me dá prazer.

O que o leitor pode esperar da sua obra?
A.T: Uma nova visão. O livro mostra que é possível tirar algo positivo de tudo na vida. Estamos acostumados a ouvir sempre o lado negativo das coisas. Em meus textos, mostro que é possível rir ou refletir sobre coisas que pareciam supérfluas.

Quais são suas influências literárias e como os leitores podem encontrá-las em sua obra?
A.T: Cresci lendo Monteiro Lobato e na adolescência conheci um livro do Luis Fernando Veríssimo que me impressionou muito chamado Comédias da Vida Privada. Foi o meu primeiro contato com contos humorísticos e depois disso virei um fã de vários escritores brasileiros, como o fictício Stanislaw Ponte Preta. Tenho meu próprio estilo literário, mas assumo que eles influenciaram fortemente na minha vida.

Sobre o autor: ARISSON TAVARES DA SILVA, ou Arisson O Grande, nasceu no Gama-DF. Desde 2004 escreve e divulga por meio de um blog pessoal suas ideias, vídeos e podcasts humorísticos. É jornalista, membro do Núcleo Jovem de Letras e Artes da Academia de Letras do Brasil-DF. Além disso, é membro do Sindicato dos Escritores e da Cia. dos Blogueiros. Escreveu o livro Evolução Decrescente, publicado em 2010, e No Vermelho, pela editora Novo Século.

Sinopse do livro: Não! Este não é um livro socialista, nem tão pouco faz apologia a algum partido político. Também não se refere à sinalizações de trânsito ou a alguma música antiga da Daniela Mercury. No Vermelho, neste caso, é ficar no centro do alvo e torcer para que o atirador tenha conflitos com a maldita mira. Um livro de Crônicas que mostra que é possível rir dos problemas cotidianos e de situações alarmantes. Afinal, pimenta nos próprios olhos nunca será refresco, mas pode virar uma das Videocassetadas do Domingão do Faustão.

Fonte: Assessoria

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