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Avestruz: a solução para o sertão alagoano

O Estado de Alagoas desponta como o primeiro do Nordeste na criação das aves

Alagoas 24 HorasAté os ovos das aves são aproveitados para o artesanato

Até os ovos das aves são aproveitados para o artesanato

O Brasil é – atualmente – o terceiro maior criador de avestruzes do mundo. Dentro deste cenário, o Estado de Alagoas ocupa a primeira colocação na criação das aves, no Nordeste. O que representa segundo o criador Luis Carlos Costa, o Lula Cabeleira, uma posição, que vai além da mera condição de destaque, pois significa a solução para a geração de emprego e renda no sertão nordestino.

Sendo a avestruz uma ave que vive sob condições de calor intenso, por ser originária do continente africano, o sertão alagoano é quase um habitat natural. Decorrente deste fato, a criação de avestruzes em Alagoas não só deu certo, como representa a perspectiva de surgimento de mais de dois mil empregos diretos, até o ano de 2008.

números

Vale ressaltar que este ramo de atividade movimenta hoje, em Delmiro Gouveia, R$ 40 milhões por ano. “Este número é referente ao abate da carne, pois o quilo custa em média R$ 18. Cobramos abaixo para que todos possam ter acesso a uma carne que é mais nutritiva e com menor taxa de colesterol que o boi, frango e peru. Se levado em conta que da avestruz tudo se aproveita, nascem empregos indiretos e maior geração de renda”, destaca Lula Cabeleira.

O empresário Lula Cabeleira – um dos pioneiros na atividade – trabalha com um criatório que se aproxima das duas mil aves, e com a perspectiva de chegar a três mil em 2008, em Delmiro Gouveia, município distante 300 quilômetros de Maceió.

“Já possuímos 1.149 ovos que devem chocar em 42 dias. Cada casal de avestruz (forma como é vendida) pode chegar a custar R$ 15 mil e é um investimento com retorno garantido, pois as aves procriam rápido, e cada ave gera 35 quilos de carne, além das demais matérias-primas. Vejo neste negócio do desenvolvimento de minha cidade, e por isto invisto”, explica o empresário.

emprego e renda

O pensamento de Lula Cabeleira – respaldado por um estudo científico encomendado por ele mesmo e sua equipe técnica – prevê o assentamento de vários trabalhadores rurais sem terra, para trabalhar diretamente com a criação das aves. “Estamos com uma parceria com o Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária), onde mudaremos a vida destas famílias carentes, pois o retorno é garantido no terceiro ano de projeto”, explica Lula.

De acordo com ele, cada família beneficiada pelo projeto, pode vir a ter uma renda mensal de no mínimo cinco salários mínimos, “trabalhando em uma terra que é deles”. “O pedaço de terra que estamos incluindo no Projeto Avestruz atenderá a cerca de 500 famílias do sertão alagoano”, explica. Ao todo, Cabeleira espera que o projeto possa render para os sertanejos o lucro líquido de R$ 74 mil ao ano.

benefícios da avestruz

“Para se ter idéia da potencialidade da criação destas aves, da avestruz se aproveita até a unha”, destaca Lula Cabeleira, colocando que há pessoas em Delmiro Gouveia que conseguem – hoje – sobreviver, graças ao artesanato produzido com ovos e unhas de avestruz. “São chaveiros, abajur, pinturas, artigos para enfeites e bijuterias feitas a partir deste material. Nada se perde, e com a criatividade do brasileiro e força de vontade política movimentamos a economia de uma região”.

É possível fazer a partir da produção de avestruz vários produtos manufaturados, que atendem a diversas indústrias, que vão desde as alegorias carnavalescas às montadoras automotivas.

Do couro da avestruz – por exemplo – é produzido vestimentas. Da plumagem, se fabrica estofados de luxo e fantasias e até os ossos são aproveitados, pois a farinha da carcaça, como é conhecida, é uma ração animal bastante nutritiva. Isto sem contar que a carne da ave é mais saudável e uma das menos calóricas.



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