Moro diz que não podia barrar investigação sobre filhos de Bolsonaro

Adriano Machado / Reuters

O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, rebateu nesta sexta-feira (22) uma fala do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que disse que o ministro da Justiça “tinha a obrigação de defender o presidente”. Moro utilizou uma rede social para afirmar que “não cabe ao ministro da Justiça obstruir investigações da Justiça Federal”.

“Não cabe também ao Ministro da Justiça obstruir investigações da Justiça Estadual, ainda que envolvam supostos crimes dos filhos do presidente. As únicas buscas da Justiça Estadual que conheço deram-se sobre um filho e um amigo em dezembro de 2019 e não cabia a mim impedir”, disse Moro.

Em entrevista coletiva realizada na noite desta sexta-feira, horas após a divulgação do vídeo da reunião ministerial, Bolsonaro mencionou que descobriu, por meio de amigos policiais do Rio de Janeiro, sobre a possibilidade de “provas plantadas nas casas de seus filhos”.

“O tempo todo vivendo sob pressão, possibilidade de busca e apreensão na casa de filho meu, onde provas seriam plantadas. Levantei porque graças a Deus tenho amigos policiais civis e policiais militares no Rio de Janeiro, que estava sendo armado para cima de mim”

O presidente acrescentou que caberia ao ministro da Justiça defendê-lo

“Moro, eu não quero que me blinde, mas você tem a missão de não me deixar ser chantageado, é obrigação dele me defender. Não de me defender de corrupção, de dinheiro encontrado no exterior, não, é defender o presidente para que possa trabalhar, possa ter paz”.

CASO DAS RACHADINHAS

Sergio Moro referiu-se ao caso “rachadinha” que envolve o filho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (sem partido – RJ).  “Rachadinha” é o nome dado a um tipo de desvio em que um parlamentar coleta parte do salário dos servidores nomeados por ele para si ou para outras finalidades.

A investigação foi iniciada no final de 2018, a partir de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que apontava suspeitas de “rachadinha” nos gabinetes de alguns deputados da Alerj, entre eles o de Flávio Bolsonaro.

De acordo com informações do relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete de Flávio Bolsonaro, possuía movimentações financeiras incompatíveis com a sua situação econômica. A suspeita era de que Queiroz fosse o responsável por coletar recursos para o então deputado estadual. Flávio Bolsonaro nega todas as acusações.

A desembargadora Suimei Meira Cavalieri, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), liberou no final de março que fossem retomadas as investigações contra o senador Flávio Bolsonaro, durante o período em que o filho do presidente Jair Bolsonaro foi deputado estadual no Rio de Janeiro.

Fonte: CNN Brasil

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