Após polêmicas em provas, gabarito do concurso da Anvisa é divulgado

A Cetro Concursos divulgou os gabaritos provisórios e os cadernos de provas do concurso da Anvisa, cuja prova foi aplicada no domingo (2) para 314 vagas. Os candidatos podem entrar com recurso contra as provas e resultados até o dia 6 de junho (quinta-feira) – acesse a página do concurso no site da Cetro. Os gabaritos foram divulgados em meio a denúncias de problemas durante as provas da seleção feitas por candidatos da Bahia, Distrito Federal, Alagoas e Rio de Janeiro.

No fim da tarde da segunda-feira (3), a Anvisa informou que a Cetro terá que enviar um relatório, em cinco dias úteis, detalhando os problemas registrados em quatro cidades. Apesar de ter recebido um relatório na segunda, a agência afirmou que "as informações prestadas indicam a ocorrência de problemas operacionais e ainda não são suficientes para que se possa avaliar o impacto desses eventos sobre o certame".

Assim, a diretoria do órgão determinou que a organizadora apresente até 11 de junho um relatório consubstanciado detalhando as ocorrências registradas na Escola Vicente Januzzi, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, em Brasília, em Maceió e em Salvador, conforme as informações já prestadas pela própria empresa. A Anvisa reforçou que "adotará todas as medidas para esclarecer os fatos e garantir a transparência e lisura do concurso, em respeito aos mais de 125 mil inscritos."

Foram registrados problemas em provas aplicadas na Bahia, Distrito Federal, Alagoas e Rio de Janeiro, entre eles mudança de local da aplicação sem aviso, folhas de respostas com número menor de questões, avaliações trocadas de turno, atraso na entrega dos cadernos com as questões e até provas violadas.

A Cetro Concursos Públicos divulgou comunicado referente à prova do concurso público da Anvisa em seu site na segunda-feira no qual informa que “fatos isolados foram observados e são objeto de apuração (…). Tão logo esteja concluída esta averiguação, os candidatos serão informados através deste site”. O G1 entrou em contato com a Cetro Concursos e aguarda resposta da instituição.

O concurso da Anvisa oferece 157 vagas para especialista em regulação e vigilância sanitária, 29 vagas para analista administrativo, 100 vagas para técnico em regulação e vigilância sanitária e 28 vagas para técnico administrativo. Os salários vão de R$ 4.760,18 a R$ 10.019,20. Todas as vagas são para Brasília. O concurso recebeu 125.585 inscrições para as 314 vagas.

A Anvisa informou ainda que tomou conhecimento de problemas ocorridos no Rio de Janeiro, Distrito Federal e em Alagoas. “A Anvisa avaliará a natureza das ocorrências e adotará todas as medidas para preservar a lisura do concurso e o direito de todos os participantes” (veja nota na íntegra no final da reportagem).

Em Maceió, dezenas de candidatos que compareceram à Escola Moreira e Silva para fazer o concurso público prestaram queixa na Central de Polícia no final da manhã do domingo. Segundo os candidatos, as folhas de resposta das provas estavam com um número de questões menor. “A prova constava 80 questões objetivas, mas a folha de resposta só tinha marcação para 60 espaços. Por isso, todos que estavam na minha sala se recusaram a fazer o exame”, explicou Rômulo de Castro Costa, inscrito para o cargo de técnico em regulação e vigilância sanitária.

Na Bahia, a candidata Mônica Austricliano, 42 anos, de Porto Seguro, que fez a prova de manhã em Salvador, diz que recebeu a avaliação referente ao turno da tarde. "Entrei normalmente na sala, assinei a folha de presença, me deram a folha com o gabarito, e entregaram a prova. Como eu tenho dificuldade visual e tinha pedido uma prova com letra maior, eles tomaram a que tinham entregue inicialmente e me deram outra", relata Mônica.

A confusão teria sido notada pela candidata quando ela começou a preencher o gabarito com as respostas. "Percebi que a numeração do gabarito era diferente da prova. Chamei a coordenação da Cetro [organizadora do concurso], que trocou o gabarito, mas não deu certo", afirma.

Mônica diz que foi levada por um dos coordenadores da organizadora do concurso para outra sala, onde tentaram impedir que ela saísse da faculdade onde a prova era aplicada. "Eles informaram que eu não poderia sair nem ter contato com outros alunos, que não poderia sair nem para almoçar. A intenção deles era me manter na sala presa até a hora de começar a próxima prova, então eu liguei para minha mãe, que acionou a polícia".

A candidata conseguiu sair da faculdade levando a prova. Ela registrou um boletim de ocorrência na 9ª Delegacia. "Não sou desonesta, estou com a prova na mão e vou voltar para faculdade. O certo é anularem o concurso, porque a empresa foi desorganizada", avalia.

O candidato Lucas Gomes, 24, da cidade de Guanambim, fez a prova na mesma faculdade que Mônica e também acha que a prova deve ser anulada. "Quando eu saí da minha prova quase 13h estava a zoada do pessoal de que a prova tinha vazado. A gente desconfia que possamos sair prejudicados e a intenção é de que a prova seja anulada", diz.

Candidatos em Brasília reclamaram de atraso na entrega dos cadernos com as questões e que receberam provas violadas. Os transtornos aconteceram em pelo menos dois locais onde as avaliações ocorrem na capital federal. Segundo a estudante Tamires Moraes, na sala onde ela faria a prova o malote com os cadernos de questões chegou aberto. “Só veio a prova, sem pacote. Na verdade, a prova veio violada, com mais de uma hora de atraso”, disse.

“Quando chegou a prova, chegou um monte de provas sem lacre, sem nada. Então, [as provas] não foram entregues, e ninguém sabia informar o que aconteceu”, prosseguiu a estudante, que não fez a prova, marcada para acontecer na Unip da Asa Sul. O mesmo problema aconteceu também na Unieuro da Asa Sul.

No Rio de Janeiro, candidatos reclamaram que não foram informados da mudança de local da aplicação da prova. Prevista para o Cefet da unidade Maracanã, o local foi transferido para a Escola Vicente Januzzi, na Barra da Tijuca.

As provas objetivas e discursivas foram aplicadas nas cidades de Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Maceió, Manaus, Natal, Palmas, Porto Alegre, Porto Velho, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo, Teresina, Vitória.

A Anvisa informou que os candidatos que se sentirem lesados podem entrar em contato com o órgão por meio de sua ouvidoria no telefone 0800 642 9782.

Fonte: G1

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