Manifestações em Brasília refletem desgaste da imagem de Lula

No mesmo dia em que o PT resolveu pedir desculpas à população, a capital federal assistiu à maior manifestação recente contra o governo.

JB OnlineManifestantes associam imagem de presidente a do boneco mentiroso Pinóquio

Manifestantes associam imagem de presidente a do boneco mentiroso Pinóquio

Se as duas marchas que movimentaram Brasília nos dois últimos dias – a primeira a favor e a segunda contra Lula – representassem desfiles de escola de samba, a manifestação de ontem ganharia por larga margem. No quesito alegorias e adereços e no de fantasias, exemplo, os 12 mil oposicionistas estiveram bem mais criativos e ousados. Os refrões, bastante agressivos, faziam a platéia rir.

Os excessos provocaram três prisões. Um jovem abaixou as calças e ficou virado de costas para o Congresso. Outros dois ”desacataram a autoridade”, ou seja, a Polícia Militar. Fora esses incidentes, a marcha, organizada pelo pelo P-Sol e PSTU, com o apoio do PDT e do PPS, transcorreu pacificamente, assim como a manifestação de anteontem, menos numerosa, a favor de Lula.

Ontem, o presidente não foi poupado. Pelo contrário, virou o alvo maior. Pouco antes de terminar a marcha, foi queimado um boneco representando Lula abarrotado de notas falsas de R$ 100. Na frente, a faixa com a inscrição Lula traidor.

”Presidiários” representando alguns dos envolvidos no escândalo do mensalão, militantes encarnando os ”traídos” pelo governo e pelo PT, além de muitas malas, valises, pastas e pacotes de dinheiro foram algumas das fantasias e adereços mais notados na marcha.

As faixas pediam o impechment de Lula e de todos os ”corruptos”. O mais famoso refrão da campanha eleitoral ganhou novo formato: Olê, olê, olê, olá, fora Lula. Outro, não menos agressivo, provocou muitos risos: Lula sabia, PT ladrão, rouba do povo pra botar no cuecão.

A marcha contra Lula e o PT apresentava uma composição heterodoxa: além de militantes dos partidos de esquerda e ultra-esquerda, havia também estudantes ”cara-pintada”, funcionários públicos, e até punks e simpatizantes de um partido de direita, o Prona, de Enéas Carneiro. Esses últimos, no entanto, não entoaram os slogans dos manifestantes da esquerda, como, como os que pediam uma ”revolução socialista” e um ”governo operário-camponês”.

Os punks também causaram algum estranhamento entre os radicais de esquerda, que não gostaram de ver alguns deles na linha de frente da manifestação.

Fonte: JB Online

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