Protesto dos controladores de vôo pára todos os aeroportos do país

FolhaPassageiros enfrentaram filas em aeroportos de todo o Brasil

Passageiros enfrentaram filas em aeroportos de todo o Brasil

A assessoria de imprensa da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) informou que todos os 49 aeroportos comerciais do país estão fechados para decolagens. Segundo a Infraero, estão sendo autorizados apenas pousos. As decolagens não estão sendo permitidas.

Os controladores de vôo comunicaram às chefias do Cindacta-1, em Brasília, que vão autorizar o pouso apenas dos aviões que já estão no ar. A partir daí, nenhum pouso ou decolagem será autorizado até que uma autoridade decida negociar com eles.

Em Brasília, a paralisação começou às 18h44. Dezoito controladores de vôo foram presos no início da noite, segundo o advogado Normando Cavalcanti, que representa os controladores.

O Cindacta-1 é responsável pelo monitoramento dos vôos dentro de um polígono que abrange os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Espírito Santo, São Paulo, Sul do Tocantins e parte do Sul de Mato Grosso.

O Sindicato dos Controladores de Vôo diz que a categoria está fazendo greve de fome em Brasília, Manaus e Salvador. O Governo Federal não confirma o protesto, mas os atrasos continuam nos aeroportos do país.

O painel do Aeroporto de Congonhas informava, no início desta noite, que todas as decolagens serão suspensas a partir das 21h. As companhias aéreas encerraram o check-in de passageiros.

No Aeroporto de Brasília, a Infraero informou que as decolagens foram suspensas às 18h44. A Infraero informou também que o ministro da Defesa, Waldir Pires, representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, estão tentando arrumar a situação.

A Infraero informou ainda que, das 18h18 às 18h44, antes de suspender as decolagens em Brasília, ela aumentara o intervalo entre as decolagens para 20 minutos, como forma de precaução.

Manifesto

O Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo divulgou nesta sexta um manifesto em nome dos controladores de tráfego aéreo brasileiros. O documento não está assinado mas, nele, há ameaças de que a categoria promova um auto-aquartelamento e greves de fome para pressionar o governo a fazer melhorias no setor.

Pelo documento, a principal reivindicação é o "fim das perseguições e retorno imediato dos representantes de associações e supervisores afastados de suas funções de origem".

O argumento seria uma referência, principalmente, à situação de um dos maiores líderes nacionais da categoria, o sargento Edleuzo Souza Cavalcanti, transferido recentemente do Cindacta-1, em Brasília (DF), onde as manifestações dos controladores têm se concentrado, desde o começo da crise, para um destacamento em Santa Maria (RS).

Há outras quatro reivindicações no manifesto anônimo. São elas a criação emergencial de uma gratificação para os controladores de tráfego aéreo; o início da desmilitarização; e a nomeação de uma comissão com representantes do Poder Executivo e dos controladores para "acompanhar as mudanças no tráfego aéreo nacional".

Defesa

Em resposta ao manifesto, o ministro Waldir Pires (Defesa) sinalizou, antes do início da paralisação, que o governo prepara medidas para desmilitarizar o controle do tráfego aéreo brasileiro. Ao mesmo tempo, o ministro exigiu disciplina militar dos controladores.

"Espero que todos os controladores militares, enquanto sejam controladores militares, estejam atentos às suas responsabilidades", disse Pires, que considera as "aspirações" de que o controle aéreo seja civil "legítimas".

Crise

Desde o final do ano passado, passageiros enfrentam constantes atrasos e cancelamentos de vôos.

Inicialmente, os problemas foram causados pela operação-padrão dos controladores, que restabeleceram à força parâmetros internacionais de segurança. O Cindacta-1, de Brasília, sofria com a falta de controladores, pois alguns tinham sido afastados pelas investigações sobre a queda do Boeing da Gol, ocorrida em setembro.

Depois, falhas em equipamentos passaram a contribuir para aumentar a espera nos aeroportos.

Desde o começo deste mês, o aeroporto de Congonhas (zona sul de São Paulo), um dos maiores do país, pára sempre que chove forte, pois sua pista auxiliar está fechada para reformas e a principal tem graves problemas de escoamento. Em uma ocasião, um cão atrapalhou as operações ao invadir a pista do aeroporto. No dia seguinte, um novo apagão aéreo afetou outros aeroportos no país.

O último dia 19 foi o dia mais difícil para os passageiros, desde o começo deste mês. Na ocasião, 29% dos vôos atrasaram, ao longo do dia.

Entre os últimos dias 25 e 28, foi a vez do aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos (região metropolitana), ter o funcionamento suspenso. Desta vez, a interrupção ocorreu devido ao não-funcionamento de um equipamento que auxilia as operações quando há baixa visibilidade (ILS). O problema revelou que o equipamento estava fora de operação desde 25 de fevereiro, quando foi atingido por um raio.

Fonte: Folha Online e G1

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