Espanhol visionário é o Rei da Uva no sertão do São Francisco

Em 1957, quando o espanhol José Molina comprou 300 hectares de caatinga no sertão do São Francisco, em Pernambuco, e anunciou que iria plantar uva, foi considerado maluco; até então, o legado deixado pela cultura portuguesa garantia ser impossível colher uva no Nordeste, principalmente no semi-árido. Molina desmentiu a versão dos colonizadores portugueses e hoje é o Rei da Uva no Sertão do Francisco, produtor do vinho popular mais vendido no Nordeste (Botticelli) e com o faturamento superior a R$ 300 milhões por ano.
Os parrerais fundados por José Molina mudaram a paisagem do sertão pernambucano; a região compreendida entre Floresta e Petrolina transformou-se no novo eldorado, hoje, além do espanhol, os grupos Silvio Santos e Carrefour, francês, investem maciçamente em irrigação para o plantio de frutas destinadas à exportação. Somente a Inglaterra fica com 30% de toda a produção, que é exportada por via aérea – em Petrolina funciona o terminal de cargas aéreas e a Sic-Vale, a Bolsa de Mercadorias do Vale do São Francisco, que movimenta R$ 700 milhões por ano.

Quando completa 504 anos de “descobrimento” pelo homem branco (terça-feira, 4 de outubro) o Rio São Francisco, embora alterado pela depredação, ainda é o fator decisivo que garante a sobrevivência de uma população ribeirinha que se identifica com o rio pela cultura e pela economia. O pioneiro José Molina, dono da Vinícola Botticelli, que produz quase 2 milhões de litros de vinho por ano, virou exemplo; em 1974 os governos de Pernambuco e da Bahia decidiram implantar o projeto de irrigação Bebedouro, em Petrolina-PE, e Juazeiro-BA.

Hoje, são mais de 250 mil hectares irrigados no semi-árido dos dois Estados; e os resultados animadores em termos de produtividade estão atraindo mais investidores do sul do país. No sertão do São Francisco o hectare plantado com uva rende 60% mais que no centro-sul e ainda tem a vantagem de a região estar livre da geada – outra vantagem é que, na caatinga, pode-se plantar duas safras por ano. Mais cauteloso, o espanhol José Molina é agradecido à terra e, para não explorá-la à exaustão, ele recomenda três safras em cada dois anos.

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