“Eu ouvia uma voz dizendo: mate”, diz o PM acusado de estuprar e matar estudante

Josevildo Valentim disse que trabalhava sob efeito de drogas, assim como outros militares

Alagoas 24 horas/arquivo

Soldado Valentim, quando prestou depoimento sobre outros estupros

O policial militar Josevildo Valentim dos Santos Junior, de 41 anos, preso depois de confessar ter estuprado e assassinado a estudante de 18 anos, Maria Aparecida Rodrigues Pereira, em outubro do ano passado, e ter baleado o namorado da jovem, disse que cometeu o crime porque estava sob efeito de drogas. O soldado, que está recluso no presídio militar, no complexo prisional de Alagoas, contou que assim como ele, outros militares são viciados em cocaína e trabalham sob efeito do entorpecente.

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Em entrevista à TV Ponta Verde, emissora filiada ao SBT, o policial contou que no dia do crime havia utilizado 20 gramas de cocaína, que comprou de um traficante. Primeiro ele usou 17 gramas em casa e depois saiu para comprar cigarros, no bairro da Pajuçara. Valentim disse que só lembra que parou na Praça da Faculdade e usou o restante da droga. “Eu ouvia uma voz no meu ouvido dizendo: mate, mate, mate. Eu não encontrei ninguém na rua, ia ser qualquer pessoa. Daí eu a avistei e foi ela… Eu matei uma pessoa inocente e isso me causa culpa”, disse ao justificar que escolheu a vítima aleatoriamente.

Em outro trecho da entrevista ele disse que aproveitaram o crime contra a estudante para tentar lhe imputar outros crimes. “Eu fui a bola da vez. Por causa deste ocorrido com a Maria Aparecida imputaram todos os estupros para mim. Eu não cometi, tenho consciência tranquila disto. Inclusive, eu permiti que fizessem os exames para me ver livre das acusações”, argumenta.

Valentim – que foi denunciado por homicídio quadruplamente qualificado, tentativa de homicídio e estupro, pelo Ministério Público Estadual – revela que começou a usar cocaína sob influência dos colegas de farda. Depois que ficou viciado costumava sair para trabalhar drogado, dirigindo a viatura da equipe. Durante a entrevista, seu advogado, Luiz Estêvão, quis atribuir ao Estado a culpa pelos crimes. “Era uma coisa anunciada o que aconteceu. Por que o estado sabendo que uma pessoa é drogada, arma a pessoa e põe nas ruas para defender a segurança pública”, alfineta.

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A defesa de Josevildo também disse que irá tentar transferi-lo para o manicômio judiciário para que ele receba tratamento psiquiátrico. “Ele está visivelmente desequilibrado”, alega. 

Tentativa de suicídio

Depois de ter se apresentado à Polícia Civil, Valentim ingeriu 91 comprimidos para tentar acabar com a própria vida. Sobre o fato, ele explicou que “não estava aguentando a culpa”. O militar ficou internado no Hospital Geral do Estado (HGE), onde ainda em recuperação, foi agredido a golpes de cassetete, por colegas de farda.

Ao final da entrevista, o soldado que ainda integra a Polícia Militar de Alagoas, disse que se arrepende e que foi abandonado pela família. “Eu cometi um ato brutal que não tem nem como ser perdoado. Eu me arrependo, mas quem me conhece sabe que eu não teria coragem, por mim mesmo, de fazer uma coisa dessas”.

Segurança Pública

O Alagoas 24 Horas entrou em contato com a assessoria de comunicação do Comando da Polícia militar de Alagoas e Secretaria de Segurança Pública sobre as declarações de Valentim acerca do uso de entorpecentes por parte de policiais militares em serviço. Em nota, a SSP informou que:

“Não compactua com nenhum tipo de irregularidade de conduta dos agentes de segurança do estado. Com relação às acusações feitas, afirma não ter conhecimento, portanto, não irá emitir neste momento nenhum posicionamento a respeito”, diz a nota.

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3 Comentários

  • Josuel says:

    Que você usava drogas e que outros polícia usam também, eu acredito. Só não não acredito que você ouvia vozes. Você fez o que fez porque quis.

  • Levy Gomes e Matias da silva says:

    A instituição não compactua, não sabe das irregularidades; ilegalidades; crimes e contravenções? claro! A verdade é que não faltam evidências e um senso comum já foi construído. Também não faltam precedentes sociais que juridicamente não dão em nada. Falta, enfim, a “policia” fazer papel de polícia pra poder exigir a moral que pensa que tem. O respeito à instituição em videos de arrependimento vem de uma coleção de outros crimes: tortura, ameaça, abuso de poder e de autoridade, agressões físicas e verbais. Daí querem respeito, tentam conquistar a moral hollywoodiana dos policiais americanos pela força, porém, respeito não se impõe, se conquista. Enfim, concordo com a parte “tragédia anunciada” afinal, o que esperar de cérebros treinados apenas para dizer “sim senhor”…

  • Mczaju says:

    Agora ninguém comenta…quando o crime aconteceu, só via gente comentando…ah foi facção,foi traficante…foi pior do que se pensava…foi um militar, pilantra e ainda diz que ouvia vozes…por que não escutou uma voz dizendo;
    Atire no seu próprio ouvido… salafrário,noia,cheirador de pó…fim das milícias militar…imundo deveria ser morto aos poucos em praça pública…imagina vc na rua andando com sua namorada…chega um cara te rende,te coloca na mala de um carro,atira em vc,estupra sua namorada e a mata…ainda tá preso em presídio militar?
    Coloca no meio dos lixos faccionado pra ele ter uma parte do que merece!

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